Me custa entender que nem tudo é branco ou preto e
compreender que nem todo mundo vai agir do mesmo modo como eu agiria em certas
situações. Me custa aceitar que exista algo além do certo ou errado, um meio
termo ou uma desculpa de aceitação que o errado é normal. Me custa entender o
cinza e um pouco das outras cores. Confesso publicamente meu defeito
na esperança de que falando pro mundo alguém ouça e me dê uma direção, uma
resposta e eu consiga me sentir mais leve, mais feliz. Porque eu não quero
carregar comigo atitudes e defeitos de mais ninguém além dos meus próprios. Eu
só peço um pouco de honestidade a quem quiser partilhar do meu caminho.
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
Chocolate
Ela é solteira. Não sozinha. Ela pinta as unhas de vermelho
quando quer. Mas, também, sabe deixar as unhas em cacos quando dá vontade.
Esbanja esquisitices ao falar dos seriados prediletos. E se cala quando o
assunto é sobre o porquê dela não ter namorado.
Ela toma chá quando o
tempo é frio e quente também. E bebe cervejas em canecas, como homens
pré-históricos. Ela ri de palavrões e de piadas de humor negro. Mas, também, se
derrete mais do que picolé em frigideira quando recebe um SMS romântico de
madrugada. Mas por que não namora?
Ela acorda, escova os
dentes de quem já usou aparelho, toma um café preto bem forte, se arruma e vai
trabalhar. Prefere usar preto. Mas desbanca qualquer havaiana bonita quando
inova em alguma vestimenta cheia de flores coloridas. Ela é linda e
desconversa. Fala do tempo, do futebol, da novela, da mãe, da crise do Paraguai
e de literatura. Mas por que tu não namoras?
Quando o assunto é
sexo, ela fala mais do que escuta. Escuta com os ouvidos, com os olhos, com a
boca e com os pelos da coxa. Transa menos do que deseja. E sabe esconder alguma
aspirante a Sônia Braga dentro daquele decote comportado. Ela curte Madonna, Djavan e Ira. E fala que eu tenho péssimo tom de voz. Lê Machado, Vinicius,
Quintana e Fernando Pessoa. Mas diz que, também, gosta das minhas histórias.
É estranha, também.
Assumo. Corta o cabelo de acordo com as fases da lua e gosta de comer macarrão
com maionese e feijão com queijo. Gosta de umas bandas que ninguém conhece e
chora com as histórias do Nicholas Sparks. Liga o ar condicionado porque gosta
de dormir sentindo frio e acaba repousando feito uma esquimó com meias e
edredom. Uma linda esquimó, por sinal. Não sabe usar o celular. Costuma atender
as ligações somente após a quarta tentativa de chamada. Não, ela não ignora.
Ela perde tempo é procurando o celular na bolsa, debaixo da cama ou pia do
banheiro. Mas, vez em quando, ela sabe ignorar também. Não sabe dançar. Recusa
os convites, mas adora ser convidada. Odeia batom e gosta de brincos de grandes.
Mas por que ninguém
conseguiu ultrapassar esse muro de Berlim que você ergueu no teu peito? Ela
desconversa. Ri de canto de boca e me pergunta se eu fumo tentando desviar o
assunto pra longe. Eu insisto. Falo coisas demodês e jogo no ar o fato de que
eu a acho perfeita. Ela empina o nariz, me lança aqueles olhos negros enormes e
ajeita-se sobre a mesa. Muda o tom e me fala: “Porque eu não quero”. E eu rio
sem graça da minha maldita ideia de achar que todo mundo quer ter alguém para
dividir os chocolates.
terça-feira, 4 de setembro de 2012
Por que eu gosto tanto de crianças?
Muitas vezes rejeitamos as
pessoas que estão em nossas vidas, não sabemos se as queremos ao nosso lado,
desejamos estar com outras pessoas. O resultado dessas inquietações é que, quando
nos preocupamos com o que queremos ou não de alguém ou com o que aprovamos ou
não nessa pessoa, deixamos de ver sua bondade, sua astúcia, sua delicadeza, sua
tristeza ou seja lá o que for que ela tenha a oferecer. Esses pensamentos
impedem que aproveitemos o prazer de cada momento. Crianças não esperam nada de nós, não nos
rotulam, não nos julgam, aproveitam o que temos de melhor. Nos enxergam como
seres de igual para igual, nos sorriem verdadeiramente, nos dão suas mãos
quando precisam de nossa segurança, de nosso carinho. Gosto de estar com crianças por que elas têm
uma mente tranquila e uma mente tranquila vê o que está aqui. Uma mente ocupada
vê o que não está aqui. Aquele que está presente é nada mais, nada menos, do
que aquele que está presente. Portanto, você pode pensar o que quiser sobre as
pessoas, mas saiba que isso não vai transformá-las.
Crianças não querem nos
transformar, nos amam pela nossa presença, pelo carinho e atenção dedicados a
elas.
Gosto de estar com crianças
porque sinto seus corações puros, aquele que ainda não foi estragado pelo
mundo. Aquele que ainda não rejeita, que não mente, que não desrespeita.
Com as crianças renovo meu
eu, busco o prazer dos momentos, a falta de limites para sonhar. Sim, quando
criança ninguém me dizia que não era possível, que eu não era capaz.
É com elas que relembro que
preciso recuperar a magia da infância e fazer valer a crença de que confiando
exclusivamente em mim, posso ultrapassar qualquer fronteira!
segunda-feira, 27 de agosto de 2012
Hora da travessia
Os dias se passaram muito
rápido, não planejei essa velocidade, muito menos essa intensidade de
acontecimentos.
Planejei um ano tranquilo, sem
paixões turbulentas, com viagens, com objetivos alcançados, planejei um ano de
libertação, de grandes acontecimentos.
E, nada, do que planejei
saiu como eu esperava, entretanto, não fico surpresa por isso, minha vida toda
sempre foi regrada ao acaso, ao destino, a decisões tomadas em segundos, a vidas
separadas em questão de dias, a dores que parecem mumificadas ao tempo.
Mas há uma decisão que estou
postergando, deixando passar os segundos, os dias e os meses, só que agora
chegou sua hora, chegou a data definitiva da escolha, ou vou ou fico.
Já pensei, já analisei, já
revi mil vezes as consequências que isso irá causar, e sinto, sinto muito, mas não
posso ser para sempre um pilar que sustenta uma família unida, não posso ficar
ao lado de todos, nem mais viver a vida dos outros.
Preciso deixar que todos
sigam seu caminho, inclusive eu, que abdiquei de meus sonhos para estar ao lado
dos que amo. Fiz isso no momento oportuno, fiz isso quando a vida me exigiu
responsabilidade sem eu saber o que era se quer ser adulta. Cresci, amadureci e
evolui, agora, agora é hora de viver outra vida, de seguir meu caminho (o meu
caminho).
Como diria Fernando Pessoa “há
um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do
nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos
lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado,
para sempre, à margem de nós mesmos”.
É hora da minha travessia,
hora de retomar planos de acordar os sonhos adormecidos.
É hora da escolha, da
decisão, da minha vida.
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
Namore uma garota que lê
Namore
uma garota que gasta seu dinheiro em livros, em vez de roupas. Ela também tem
problemas com o espaço do armário, mas é só porque tem livros demais. Namore
uma garota que tem uma lista de livros que quer ler e que possui seu cartão de
biblioteca desde os doze anos.
Encontre
uma garota que lê. Você sabe que ela lê porque ela sempre vai ter um livro não
lido na bolsa. Ela é aquela que olha amorosamente para as prateleiras da
livraria, a única que surta (ainda que em silêncio) quando encontra o livro que
quer. Você está vendo uma garota estranha cheirar as páginas de um livro antigo
em um sebo? Essa é a leitora. Nunca resiste a cheirar as páginas, especialmente
quando ficaram amarelas.
Ela
é a garota que lê enquanto espera em um Café na rua. Se você espiar sua xícara,
verá que a espuma do leite ainda flutua por sobre a bebida, porque ela está
absorta. Perdida em um mundo criado pelo autor. Sente-se. Se quiser ela pode
vê-lo de relance, porque a maior parte das garotas que leem não gostam de ser
interrompidas. Pergunte se ela está gostando do livro.
Compre
para ela outra xícara de café.
Diga o que realmente pensa sobre o Murakami. Descubra se ela foi além do primeiro capítulo da Irmandade. Entenda que, se ela diz que compreendeu o Ulisses de James Joyce, é só para parecer inteligente. Pergunte se ela de ser a Alice.
Diga o que realmente pensa sobre o Murakami. Descubra se ela foi além do primeiro capítulo da Irmandade. Entenda que, se ela diz que compreendeu o Ulisses de James Joyce, é só para parecer inteligente. Pergunte se ela de ser a Alice.
É
fácil namorar uma garota que lê. Ofereça livros no aniversário dela, no Natal e
em comemorações de namoro. Ofereça o dom das palavras na poesia, na música.
Ofereça Neruda, Sexton Pound, cummings. Deixe que ela saiba que você entende
que as palavras são amor. Entenda que ela sabe a diferença entre os livros e a
realidade mas, juro por Deus, ela vai tentar fazer com que a vida se pareça um
pouco como seu livro favorito. E se ela conseguir não será por sua causa.
É
que ela tem que arriscar, de alguma forma.
Minta. Se ela compreender sintaxe, vai perceber a sua necessidade de mentir. Por trás das palavras existem outras coisas: motivação, valor, nuance, diálogo. E isto nunca será o fim do mundo.
Minta. Se ela compreender sintaxe, vai perceber a sua necessidade de mentir. Por trás das palavras existem outras coisas: motivação, valor, nuance, diálogo. E isto nunca será o fim do mundo.
Trate
de desiludi-la. Porque uma garota que lê sabe que o fracasso leva sempre ao
clímax. Essas garotas sabem que todas as coisas chegam ao fim. E que sempre se
pode escrever uma continuação. E que você pode começar outra vez e de novo, e
continuar a ser o herói. E que na vida é preciso haver um vilão ou dois.
Por
que ter medo de tudo o que você não é? As garotas que leem sabem que as
pessoas, tal como as personagens, evoluem. Exceto as da série Crepúsculo.
Se você encontrar uma garota que leia, é melhor mantê-la por perto. Quando encontrá-la acordada às duas da manhã, chorando e apertando um livro contra o peito, prepare uma xícara de chá e abrace-a. Você pode perdê-la por um par de horas, mas ela sempre vai voltar para você. E falará como se as personagens do livro fossem reais – até porque, durante algum tempo, são mesmo.
Você
tem de se declarar a ela em um balão de ar quente. Ou durante um show de rock.
Ou, casualmente, na próxima vez que ela estiver doente. Ou pelo Skype.
Você vai sorrir tanto que acabará por se perguntar por que é que o seu coração ainda não explodiu e espalhou sangue por todo o peito. Vocês escreverão a história das suas vidas, terão crianças com nomes estranhos e gostos mais estranhos ainda. Ela vai apresentar os seus filhos ao Gato do Chapéu [Cat in the Hat] e a Aslam, talvez no mesmo dia. Vão atravessar juntos os invernos de suas velhices, e ela recitará Keats, num sussurro, enquanto você sacode a neve das botas.
Namore uma garota que lê porque você merece. Merece uma garota que pode te dar a vida mais colorida que você puder imaginar. Se você só puder oferecer-lhe monotonia, horas requentadas e propostas meia-boca, então estará melhor sozinho. Mas se quiser o mundo, e outros mundos além, namore uma garota que lê.
Ou,
melhor ainda, namore uma garota que escreve.
terça-feira, 7 de agosto de 2012
Ainda lembro
Queria te encontrar, te olhar nos
olhos e dizer que nada passou, que sinto saudade do riso, do carinho, do olhar
no olho, daquelas gargalhadas que ecoavam pela casa. Saudade da alegria que se
irradiava entre nós. Saudade de você me olhando. Saudade do que passou.
Não sei por que, não sei por que
razão, mas a vida não se explica. Nada acontece como planejamos e todas aquelas
frases clichês que todo mundo conhece e no fundo eu bem sei como a vida
funciona. Sou prova viva de um destino, sou prova do destino de muita gente.
Encontrar quem nos faz feliz é
fácil, aquele que achamos que seria o amor de nossas vidas, mas como ouvi
dizer, quero ver convencer que somos o dele.
Não sei onde erramos, não sei por
que tudo aconteceu tão rápido e tão negligenciado. Algo que seria lindo, você
sabe que seria, não foi vivido com a intensidade que chegou, pela covardia de
duas pessoas que tudo o que querem na vida é ser feliz, mas não querem em
hipótese alguma passar perto de situações que lembrem nossos passados.
Eu queria te encontrar, mas não
vou, eu queria saber de você, saber se você está bem, se está se cuidando bem,
se precisa de mim, mas não posso.
Só posso esperar o tempo
passar....só posso deixar a vida acontecer, com tudo de ruim ou de bom que ela
vai me trazer...quinta-feira, 2 de agosto de 2012
Crescer...
...Crescer é perder o saco. Pequenas coisas não mais bastam. A gente cansa de quem é ingrato, quem não valoriza o gesto pequeno, quem não entende o poder de uma canção, quem não traz a sensibilidade estampada no peito. Eu enjoei de gente que não sabe sentir. E de quem só se queixa da vida e fica parado pensando que uma hora a festa vai ficar animada. A festa, muitas vezes, quem faz sou eu mesma. Tiro o sapato e aproveito, danço sem música, canto sem letra, faço caras e bocas na frente do espelho, dou um jeito qualquer, mas que seja engraçado e deixe a minha alma em paz. Nem sempre a festa precisa de gente, você gosta de figurantes? Odeio quem tá ali só pra constar. Esteja ali pra me amar. O resto a gente inventa. Traga a sua loucura, os abraços aqui são garantidos.
Crescer é utilizar melhor o tempo que resta. Cansei de amores de meia página. Amizades com meia dúzia de letras não me satisfazem mais. Com o passar do tempo, a gente quer sossego e tranquilidade que rodopia. Alguém que nos acolha, que nos traga um sorriso gratuito, que dê um abraço que deixa sem ar, que o abraço sem ar seja mudo e que tenha a seguinte legenda “olha, eu estou aqui bem aqui pertinho de você, não fica com medo não”. O que a gente quer é se esconder do medo, nem sempre encarar é sinal de maturidade. Muitas vezes fazer um gesto pra lá de obsceno é bem mais maduro, atitude adulta, sabe como é? Foda-se. Às vezes é assim, foda-se mesmo, paciência, babaus. A gente tem que saber bem o que fazer com as horas, o tempo vai passando, anda de ônibus, bicicleta, avião, navio. O tempo viaja, leva muita roupa, paga excesso de bagagem, fica com dor nos pés de tanto andar e perambular feito um mulambento por aí. O tempo fica deprimido, toma Valium e passa cinco dias atirado no sofá sem tomar banho, ganhando um cheiro ruim e um aspecto de acabado.
Crescer é aceitar que os defeitos são peças indispensáveis no guarda-roupa e, felizmente, nunca saem de moda. Entenda que eu tenho, você tem, o mundo inteiro tem. Crescer é compreender que um dia, inevitavelmente, você cresce. Não adianta não querer, se esquivar ou correr. Quando você não tem armas suficientes para combater alguém, guarde a pistola ou a espada. Bandeira branca. Mãos livres. Paz. Crescer é aceitar apenas. Crescer é perceber que mesmo depois de bem crescido você ainda pode dormir abraçado num bicho de pelúcia....
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